Com primeiro tempo impecável, Espanha garante a vitória sobre o Uruguai

Sem fazer muito esforço, a Espanha largou na frente no grupo B da Copa das Confederações ao vencer o Uruguai por 2x1 neste domingo (16), na Arena Pernambuco. Na verdade, os atuais campeões europeus e mundiais fizeram força apenas no primeiro tempo, quando envolveram o adversário com seu já lendário toque de bola e uma marcação forte na saída de bola. A Celeste Olímpica apenas assistiu ao baile e pagou caro por isso.

O jogo da Espanha não é para qualquer um. Para nós, sul-americanos, acostumados a dribles em profusão, chutes de qualquer lugar do campo e que odiamos marcação, chega a ser irritante. Prova disso foram as vaias da torcida pernambucana com míseros cinco minutos de bola rolando.Cinco minutos no relógio. Porque o tempo dentro das quatro linhas obedece outro tipo de ordem. O time espanhol toca a bola e toca, toca, toca, toca, toca. E a palavra 'toca' poderia ser repetida por mais 50 linhas e ainda assim não descreveria o futebol dos atuais campeões mundiais.

Não é algo matemático, frio nem calculista. É musical, uma sinfonia que vai de pé em pé até que o adversário, provavelmente paralisado, deixe um espaço, um mínimo que seja.
E o Uruguai foi espectador demais. Talve por admiração, ficou olhando seus oponentes brincando de dois-toques ao invés de tentar tomar a bola. Bem mais que os torcedores que se remexiam nas cadeiras quando Iniesta tentava avançar, mas tocava para trás, já que ainda não havia espaço para finalizar. O primeiro a conseguir foi Fábregas, aos nove minutos. Iniesta fez o corta-luz no passe de Busquets e o camisa 10 acertou a trave direita.

Nos poucos momentos em que a bola esteve em seus pés, os uruguaios sempre tinham a companhia de um enxame de camisas vermelhas dispostas a tudo para recuperar o instrumento de trabalho. O lema é: toque a bola até achar o espaço. Quando perdê-la, faça de tudo para recuperar. Simples, mas que poucos conseguem.

O gol que se anunciava desde o primeiro toque saiu aos 19 e, por ironia do destino, com uma canelada, coisa difícil de se ver no futebol espanhol. Só que a canelada foi uruguaia. Pedro chutou da entrada da área e a bola desviou na perna de Lugano. Muslera só pôde lamentar.

Somente após o gol, a Celeste lembrou-se que estava ali para competir e não admirar a Espanha. Lutou mais pela bola. Aqui e ali conseguiu e, aos 28 Cavani, tocou de leve de cabeça após cobrança de falta. Casillas pegou no meio do gol.A Espanha respondeu novamente de pé em pé só que desta vez num sentido mais vertical. Do círculo onde os jogaores iniciam o jogo eles iniciaram o ritual até Fábregas encontrar Soldado completamente livre quase na marca do pênalti. Ele chutou sem piedade no canto alto direito de Muslera: 2x0.

A torcida entendeu o jogo. Passou a aplaudir e até ensaiar um olé, aquele mesmo das touradas. O Uruguai ainda ensaiou mais uma reação, chegou até a marcar a saída de bola dos europeus, provavelmente o melhor caminho para vencê-los. Mas não o fez por muito tempo e viu o primeiro tempo terminar mesmo no 2x0.

Começa o segundo tempo e não muda nada. A Espanha, obviamente jamais mexeria no que está dando certo - e já se vão cinco anos de acertos. Chama a atenção o que faz o Uruguai. Ou melhor, não faz.

O time de branco inicia a nova etapa como se não houvesse jogado a primeira. Ou, mais alarmante, como se não encontrasse uma fórmula de fazer diferente. A impressão que se passa é que eles apenas esperam o jogo chegar ao fim sem um estrago maior.

Se o conformismo impressiona de um lado. Também chama a atenção do outro a obediência a um estilo de jogo. Parece que a posse de bola, troca de passes e marcação pressão são conceitos entranhados na cabeça dos espanhóis. Eles simplesmente não conseguem fazer outra coisa.

Para se ter uma ideia, num contra-ataque, Xavi recebeu a bola de costas para a áera. Quando girou, um defensor uruguaio postou-se entre ele e o goleiro.Sem a menor cerimônia tocou para o lado, isso já dentro da área. Uma heresia para quem quer fazer o gol de qualquer jeito. Pois Arbeloa apareceu e cruzou rasteiro. Soldando entrou de carrinho e por uma fração de segundo não ampliou.

O jogo ficou tão previsível que a torcida achou por bem clamar por ver seus ídolos em campo. E passou a gritar o nome do uruguaio Forlán. Não custava nada e o técnico Óscar Tabárez deve ter pensado o mesmo quando chamou o jogador aos 25 minutos. Foi o mais próximo de um grito de gol que os campeões da América conseguiram.

As torcidas locais também tentaram alguma manifestação. Quando ouviu-se um "Tudo!" respondendo ao "Pelo Sport, nada?" Uma chuva de vaias desabou na arena. No lado esquerdo às cabines de imprensa, outro grupo maior conseguiu, aos trancos e barrancos, fazer com que o grito de guerra leonino fosse ouvido. Aliás, por falar em torcida local, camisas alvirrubras, rubro-negras e tricolores - estas em flagrante menor número - conviviam pacificamente apesar dos apupos.

E daí em diante, a Arena Pernambuco lembrou a Ilha do Retiro, o Arruda e os Aflitos, enquanto o clássico lá embaixo era solenemente ignorado.Por falar nele, nesse ínterim de duelo nas arquibancadas, nada aconteceu, a não ser mais substituições no time espanhol. Martínez entrou no lugar de Xavi e Mata substituiu Pedro para decepção dos fãs de Davi Villa. O solicitado Forlán limitou-se a brindar seus seguidores com uma cobrança de falta por cima do gol de Casillas.

Dez minutos antes do apito final muita gente já tomava o caminho de casa, pois nenhum dos dois times demonstrava ambição de fazer mais do que fora executado até o momento. Por isso, perderam o que de melhor aconteceu na etapa. Aos 42, Suárez resolveu não deixar Forlán cobrar a falta. E mandou certeiro no ângulo de Casillas para diminuir o placar. Os sul-americanos ainda tentaram incendiar o jogo nos acréscimos em busca do empate mas a apatia do primeiro tempo cobrou seu preço no fim.


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